sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dois dedos de conversa...

Enquanto me descubro, por entre as entranhas de uma alva chávena, diante um pires esquecido… procuro na imaginação um tempo perdido… um sombrio esquecido. Entrando-me e entendendo-me como mais alguém, como ninguém, sobrepondo-me ao desvanecido aroma de um café extinto… soprando letras, formando as palavras de meses esquecidos, que nos enriquecem, que nos tornam mais…
Meus olhos consomem uma paisagem antiga, degustam-na de uma forma requintada, abraçam-se aos teus gestos, procurando a reciprocidade dos tempos clássicos… amiúde calçam-se os sonhos e calam-se as vozes… fluem-se as frases e as repetições… as mesmas figuras… diferentes estilos…
O tempo transforma-se e constrói-nos, sem dó nem piedade, as saudades avançam até ao dia do reencontro… decididos a mudar um tempo tempestuoso… aproveitámos da melhor maneira, cortámos os espinhos que protegiam a adormecida cavaqueira: duas chávenas, dois pires, os olhares e a prometida prosa…

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Continuas...

Numa história de medos e reversos sentidos… entendo-me hoje contigo. Sigo-me em causas desconhecidas, por caminhos novos e mais… alegro-me em ti, complico-me na tua facilidade, no teu jeito simples… na vontade de amar.
Os curiosos sorrisos, entendem-te nas léguas de uma vida escolhida… destinada. Os medos de se viver desvanecem-se nos tempos, nos amanhaceres conjuntos, nos amores profundos… nos toques e ressaltos de paixão e magia. Os anos passam, mas segue-se um caminho já traçado, os dias correm na esperança de te ver, em todas as ruas do meu amor.
As histórias vão-se construindo, neste conjunto com sentido, nestes dias presentes, que correm para ti, como uma diária aurora que se abre para te ver… um jeito vago e mágico de um amor por ti crescente.
E o mundo gira só mais um dia na esperança de te ver… mais que quatro horas, mais que mil e um sonhos… e os dias passam… continuas? Diz-me que sim

sábado, 21 de novembro de 2009

Exalto-me

Exalto-me num cansado adeus, de algo que não quer regressar, na incessante procura de um dourado e eterno. Enrolado em mim mesmo, vejo-me no futuro que pintámos, no presente que tentamos diariamente encontrar nos olhos de mais um desejo, no cheiro de mais um raio de sol… gotas de felicidade, rompantes de um céu inesquecivelmente gasto em elogios.
Em fantasiadas nuvens voam-se os saudosos olhares, dourados e eternos… no regresso às origens, de um presente feliz… exulto de rompantes sonhos… gaudiamente na intensidade de nosso amor.
E mais uma viagem nos aproxima, mais uns caminhos que nos levam a guardar os recordados aromas, que ainda trago em mim, aqueles minuciosos e afáveis toques de desejo, de um ardor escaldante, escarlate embutido nos anseios de uma semana afastada de vivências, aproximando-se de um uma realidade… no meio caminho, de olhar para o Norte, desenho as letras de um novo amor… renovado a cada semana, a cada novo olhar, meloso e eterno.

sábado, 10 de outubro de 2009

Alentejo

O desenho de uma paisagem... os ásperos traços que te definem a dourado espiga… sem as vidas de outrora crias mais, a nova ramagem, destruindo os empedrados terrenos crus. Nas sombras te consomem as longas e planas encostas de mais um avistado monte.
As paisagens planas encolhem-se nos segredos, nos vastos nenhures… plantados de verdes constantes… paz de alma nenhuma, abandonada à tua sorte.
Os cansados retalhos de gentes perdoam-te pelo nada que lhes fizeste crescer, têm-se e entendem-se tristes, num mar infértil, ausente e só.
Mais um céu que esmaga uma paisagem esquecida, mais uma aurora que te acorda para lá do rio… para além do Tejo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fácil e Eterno

Facilmente me envolves no encanto de teus braços...
Facilmente me apaixono por mais um simples e descuidado meneio teu...
Facilmente te envolvo em sonhos mil...
E eternamente te encontro para facilmente me amares.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eterno sentimento

A criação entranha-me em beijos ardentes, apaixonados e trémulos os movimentos incoerentes… procurando os cheiros de uma noite inacabada… os olhos tristes ainda esboçam a tua partida… ainda de te vejo esfumar no grito da alvorada.
O pesadelo invade a vontade de te ter, o desejo de sentir teu corpo de novo, entre a bruma esconde-te de mim e de meus constantes anseios… por entre o véu que nos une na cumplicidade de mais uma noite ainda viva e já morta talvez, abatida por uma saída repentina… um desencontro com o destino.
Poderoso, me levanto no meu trono de nadas… apenas entregue a ti… luz de uns olhos esquecidos de cor, de desejo… inúmeros passos em redor de teu encantado pedaço de arte… e ao recordar… chegam-me à cabeça palavras que não sei desenhar… leituras que não sei ouvir… um canto arco-íris, de um colorido nunca antes revisitado… e reservo-me na esperança de um eterno encontro, acostado a ti… meu rebelde sentimento.