Os esquissos de um novo momento que vou reavaliando a cada segundo estão mais seguros que os alicerces de minha fundação… e os gritos de revolta vão ecoando pelas paredes ocas de uma árvore… vão se difundindo pelos arredores… experimentando novos sabores, novas cores de insatisfação… o fim está próximo e a corda já está muito justa… há-de se partir… até lá continuo… ouvidos surdos aos gritos de tremor… aos medos do desconhecido… lembrando o futuro como um cheiro do presente ainda perfeito… magoado penso sozinho visões do infortúnio…
A lista está feita… sacola ao ombro e sigo viagem… julgo aprender lições, mas no fundo embrulho-me nas redes de um abismo sem fundo… tento esquecer-me e adormecer… mas a dor fica cá sempre… explicando-me que ainda estou vivo… que ainda sinto, mesmo que seja só flagelo… sinto-me vivo para poder cerrar os olhos e embriagar-me nos devaneios do insuportável… calam-se-me os esquissos… que o momento é de silêncio. Padeço de satisfação, procuro-me ainda nos desencontros da certeza.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Um dia tudo será diferente
Moldes e remoldes procurando a perfeito sincronia… desencaixo-me do medo, procurando o grito da revolta… embrulho-me nos escureceres da alva vindoura… receio-o, o fim de tudo… deste e daquele lugar… faço-o por amor aos outros, não a mim mesmo, que esse já se esfumou nos pretéritos.
Reconstruo-me, a cada tijolo que me retiram… a cada escavar em mim mesmo… argamasso-me com os restos… com os cacos em que me desfaço… resisto ainda… como um velho… resisto às intempéries… mas não arriscaria em arriscar… ao menos sei com o que conto… não me aventuro nos sonhos que os outros querem para mim… resido no meu próprio pesadelo…
Olhares que me massacram, enervam-me a carne e fervilham-me as vísceras… mas francamente, para quê lutar? Resigno-me à escravatura… um dia há-de acabar… um dia, de certo, acabaram todas tormentas… até lá, vou-me encostando à minha frágil muralha… pensando como seria se tudo fosse diferente…
Reconstruo-me, a cada tijolo que me retiram… a cada escavar em mim mesmo… argamasso-me com os restos… com os cacos em que me desfaço… resisto ainda… como um velho… resisto às intempéries… mas não arriscaria em arriscar… ao menos sei com o que conto… não me aventuro nos sonhos que os outros querem para mim… resido no meu próprio pesadelo…
Olhares que me massacram, enervam-me a carne e fervilham-me as vísceras… mas francamente, para quê lutar? Resigno-me à escravatura… um dia há-de acabar… um dia, de certo, acabaram todas tormentas… até lá, vou-me encostando à minha frágil muralha… pensando como seria se tudo fosse diferente…
sábado, 10 de julho de 2010
Hold me
Os caminhos do dia-a-dia tornam-se mais simples… as palavras custam menos… os medos escondem-se entre as calçadas infinitas e os passeios intermitentes… encontro-me, olhando um futuro… sem hesitações nem receios refundos… construo-me em ti… ajeitamo-nos ao presente… os cheios vazios já não me preenchem as cores com desdém… os sonhos curvam-se a dourado, anicham-se em meus lençóis, nos meus projectos, nas minhas vidas…
Procuro-nos, vou desvendando a caixinha das surpresas… passos certos num caminho sempre novo, sempre adocicado por uns pés de cinderela… passos na certeza de um trilho incerto… discutível e enganador… debatemo-nos diariamente com as espertezas alheias e é tão ganhar contigo…
A vida são experiências, que nos vão educando, que nos vão enriquecendo a cultura, que nos vão tornando cada dia mais sociais… os dias vão passando, cada vez mais entrosados na maneira de agir… os medos desvanecem-se, dissipam-se as dúvidas… e se o mundo girar mais uma vez… eu agarrar-me-ei a ti para não ficar tonto!
Procuro-nos, vou desvendando a caixinha das surpresas… passos certos num caminho sempre novo, sempre adocicado por uns pés de cinderela… passos na certeza de um trilho incerto… discutível e enganador… debatemo-nos diariamente com as espertezas alheias e é tão ganhar contigo…
A vida são experiências, que nos vão educando, que nos vão enriquecendo a cultura, que nos vão tornando cada dia mais sociais… os dias vão passando, cada vez mais entrosados na maneira de agir… os medos desvanecem-se, dissipam-se as dúvidas… e se o mundo girar mais uma vez… eu agarrar-me-ei a ti para não ficar tonto!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Ainda ontem... ainda hoje...
Ainda hoje era pequeno e agora já cresci… sentei-me beirando um monte, perto daquelas flores que te colhi… sozinho esperei o raiar de um novo diz já esquecido… era um menino… era um sozinho…
Sentado continuei na ânsia de encontrar aquele carreiro pequeno que me levava a teu lugar, que se encontrava comigo e me ameaçava de amor… sozinho naquele monte enfrentei teu esplendor.
Cabisbaixo esperei horas a fio por um só sorriso por um só sinal… e o monte desapareceu no horizonte e o monte se desfez nas lágrimas da minha paixão… do alto da serra descia a ribeira da água alva… desciam os sentimentos… caminhavam para o bruto inferno dos oceanos inavegáveis… coalharam em minha face as lágrimas de um novo sal… seco, os céus, carregaram-se… como dobradas gotas atingiram-me o coração… sozinho enfrentei-as com as forças que já não tinha…
Agora… que o fogo consome meus restos… a chuva já cessou. Agora que o dia escurece… espera por ti este fogo da vida… em prantos o rio se desfez no sal de minhas lágrimas… secaram as fontes… finou-se a beldade…
Ainda ontem era pequeno… e hoje já cresci, as cores do mundo mostram-se tonais e os sons apagaram-se em fumos finos… engrossando a alma da minha paixão… sinais de fumo… à distância guardados…
Sentado continuei na ânsia de encontrar aquele carreiro pequeno que me levava a teu lugar, que se encontrava comigo e me ameaçava de amor… sozinho naquele monte enfrentei teu esplendor.
Cabisbaixo esperei horas a fio por um só sorriso por um só sinal… e o monte desapareceu no horizonte e o monte se desfez nas lágrimas da minha paixão… do alto da serra descia a ribeira da água alva… desciam os sentimentos… caminhavam para o bruto inferno dos oceanos inavegáveis… coalharam em minha face as lágrimas de um novo sal… seco, os céus, carregaram-se… como dobradas gotas atingiram-me o coração… sozinho enfrentei-as com as forças que já não tinha…
Agora… que o fogo consome meus restos… a chuva já cessou. Agora que o dia escurece… espera por ti este fogo da vida… em prantos o rio se desfez no sal de minhas lágrimas… secaram as fontes… finou-se a beldade…
Ainda ontem era pequeno… e hoje já cresci, as cores do mundo mostram-se tonais e os sons apagaram-se em fumos finos… engrossando a alma da minha paixão… sinais de fumo… à distância guardados…
domingo, 9 de maio de 2010
Céu ardente
Às vezes submeto-me às interjeições dos resquícios da mente… e por vezes consumo-me nas partidas do meu fado… escurece-me os deuses e brilham no céu minutos de loucura… os passos são dianteiros, mas o colorido faz-se fitando o celeste negro a escolher-se às luzes de uma ribalta efémera… de uma alva madrugada que procura-nos no meio de um alto castelo… salpicando-me de vontades e um colorido sorriso que desvenda um presente áureo…
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