sábado, 21 de novembro de 2009

Exalto-me

Exalto-me num cansado adeus, de algo que não quer regressar, na incessante procura de um dourado e eterno. Enrolado em mim mesmo, vejo-me no futuro que pintámos, no presente que tentamos diariamente encontrar nos olhos de mais um desejo, no cheiro de mais um raio de sol… gotas de felicidade, rompantes de um céu inesquecivelmente gasto em elogios.
Em fantasiadas nuvens voam-se os saudosos olhares, dourados e eternos… no regresso às origens, de um presente feliz… exulto de rompantes sonhos… gaudiamente na intensidade de nosso amor.
E mais uma viagem nos aproxima, mais uns caminhos que nos levam a guardar os recordados aromas, que ainda trago em mim, aqueles minuciosos e afáveis toques de desejo, de um ardor escaldante, escarlate embutido nos anseios de uma semana afastada de vivências, aproximando-se de um uma realidade… no meio caminho, de olhar para o Norte, desenho as letras de um novo amor… renovado a cada semana, a cada novo olhar, meloso e eterno.

sábado, 10 de outubro de 2009

Alentejo

O desenho de uma paisagem... os ásperos traços que te definem a dourado espiga… sem as vidas de outrora crias mais, a nova ramagem, destruindo os empedrados terrenos crus. Nas sombras te consomem as longas e planas encostas de mais um avistado monte.
As paisagens planas encolhem-se nos segredos, nos vastos nenhures… plantados de verdes constantes… paz de alma nenhuma, abandonada à tua sorte.
Os cansados retalhos de gentes perdoam-te pelo nada que lhes fizeste crescer, têm-se e entendem-se tristes, num mar infértil, ausente e só.
Mais um céu que esmaga uma paisagem esquecida, mais uma aurora que te acorda para lá do rio… para além do Tejo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fácil e Eterno

Facilmente me envolves no encanto de teus braços...
Facilmente me apaixono por mais um simples e descuidado meneio teu...
Facilmente te envolvo em sonhos mil...
E eternamente te encontro para facilmente me amares.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eterno sentimento

A criação entranha-me em beijos ardentes, apaixonados e trémulos os movimentos incoerentes… procurando os cheiros de uma noite inacabada… os olhos tristes ainda esboçam a tua partida… ainda de te vejo esfumar no grito da alvorada.
O pesadelo invade a vontade de te ter, o desejo de sentir teu corpo de novo, entre a bruma esconde-te de mim e de meus constantes anseios… por entre o véu que nos une na cumplicidade de mais uma noite ainda viva e já morta talvez, abatida por uma saída repentina… um desencontro com o destino.
Poderoso, me levanto no meu trono de nadas… apenas entregue a ti… luz de uns olhos esquecidos de cor, de desejo… inúmeros passos em redor de teu encantado pedaço de arte… e ao recordar… chegam-me à cabeça palavras que não sei desenhar… leituras que não sei ouvir… um canto arco-íris, de um colorido nunca antes revisitado… e reservo-me na esperança de um eterno encontro, acostado a ti… meu rebelde sentimento.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Distância

A distância jamais terá argumentos para me separar… para me afastar da pessoa que sou… dos meus meneios mais delicados, do meu sangue mais vampiresco… dos desejos e da alma que me torna real… do que eu sempre fugi…
Os contornos são os mais plurais possíveis e tornam-nos mais aproximados… mas de regresso a casa, buscamo-nos em nós… realçam-se os traços de um duo perfeito, de um par construído para si mesmo… e as solidões regressam à regressão de um momento simples e puro… os ases de regresso a um embaralhado habitat, cheio de esperança e de felicidade.
E mais uma vida esperaria, só para te poder voltar a ver sorrir… a predilecção dos audaciosos beijos, deixam-me navegando num mar calmo… livre de apatia… sempre nos apanágios de um sempre… e as desventuras de um passado, saboreiam-se no presente que se quer futurar…
A distância não pode ignorar os meus sentimentos e esses nunca se afastaram de ti.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

"Eu também..."

Longe, afastado dos meus dias... carrego-e pelas ruas descalças, despidas de almas já extintas e centos de saudade. Embrulho-me no emaranhado de gentes... intrinco-me sem esperança de coisa alguma. Teu aroma ainda espreita nas minhas vestes, nos meus achados... perco-me sem ti, reinvento-me em desejos dos beijos... do que não há aqui... onde só, te anseio...
A saudade aperta o necessidade de conviver... de te sentir, em doces olhares, cheios de futuro... achados em amor e uma bruma sempre brilhante, sempre tua.
agora as memórias de um esculpido céu, enfeitado por cores mil, reluzentes em teus olhos... numa festa, num devaneio real... uma utopia perfeita... e os ecos de tuas palavras ainda habitam meu coração: "Eu também, eu também..."